
UMA ODI(N)SSÉIA !
Por Lord Vlad - Fotos: Renato BrasÉ assim que devo chamar esta aventura a qual vivi até o show dos suecos do Amon Amarth, provavelmente a banda que mais cresceu no underground mundial nos últimos 3 anos, e que já começa a despertar o fanatismo e/ou antipatia de muitos. Fico no campo dos que acham a banda fenomenal, mas talvez pelas 2 décadas de metal, já não se empolga a ponto de idolatrar bandas que não façam parte da minha formação como metalhead.
Pois bem. Saí da capital baiana, que ultimamente parece uma capital sulista, chovendo todos os dias há 2 meses e embarco rumo à Campinas, onde pelos meus cálculos, chegaria em São Paulo 18:30 (como dito pela Cia. Aérea) e estaria no Citibank Hall 19:30, meia hora antes do início do evento.
Tomeis nus kulius brutalis em confiar na empresa e só cheguei à capital (era Dia das Mães e engarrafou tudo) 19:30. Após tentar falar várias vezes com a gerência do hotel que reservei, e perder a paciência, ligo ao meu nobre aliado Gerard (Nuclear Blast Records) para agilizar uma forma deu pegar a credencial. Ele me fala “Chegue até 19:50, 20 hs ou já era”. Peguei um taxi, com 2 malas – fui informado que lá havia guarda-volumes- e me dirigi ao Citibank Hall. Para minha surpresa, os vikings desgraçados começaram quase 10 minutos ANTES do horário previsto, a mesma maluquice aprontada pelo Opeth. Deve ser que na Suécia é falta de educação começar no horário combinado, vai saber. Falta de respeito na mesma proporção do que começar atrasadíssimo. Acabei perdendo a soberba (como dito por muitos e verificado nos youtubes da vida) intro, seguida da atmosfera épica de “Twilght of The Thunder God”, música que dá título ao último trabalho dos guerreiros.
A próxima música, só peguei o :”Thank you”! do gigante vocalista Johan Hegg, Pronto, já havia me livrado das malas, peguei meu copo da caríssima Itaipava (5 paus o copo) e entro em catarse. “Asator” fez um mar de cabelos girarem em São Paulo, em menção ao estilo referencial de bater cabeça da banda, com o som alto para caralho e MUITO definido. Estava como tinha que estar. Óbvio que na hora do famoso “FIREEEEEEE” do refrão, foi broxante não ver fogo algum no palco..mas a luz estava perfeita.
A casa, que estava lotada, recebe então a antiga “Versus The World”, do disco homônimo, dando para perceber que alguns já não conheciam esta fase da banda, mas mantendo o alto nível de interação, seguida de “Varyags of Miklagaard”, do novo álbum. Ai entrou o primeiro “hit” (existe isso no Death Metal???) da noite, com “Guardians of Asgaard”, infelizmente sem a presença de LG Petrov, vocalista do Entombed (que está tentando voltar ao Death Metal dos tempos áureos) e a platéia cantou TUDO! Definitivamente se alguém ainda não percebeu que estamos diante de uma banda que está muito grande, esta era a hora de cair na real. Já estava no segundo copo de cerveja com malte de diamante (deve ser isso) e batendo cabeça, quando os cabelo de milho soltam mais outra das antochas, “The Last With Pagan Blood”, do disco The Avenger. Ótima escolha. E o som continuava lindo. Como é bom estar num evento de heavy metal sem brigas, com som e luz fodaço e uma banda que sabe como entreter o público o tempo todo.
“Live for the Kill” foi foda, não só pelos riffs maravilhosos como pela parte orquestrada, quando a escuridão do palco era invadida por pequenos pontos azuis, até que flashes eram lançados da escuridão acompanhando o ritmo das luzes. Momento Pink Floydiano total, um efeito belíssimo e que deixou a todos hipnotizados. Serviu para preparar os pescoços para aquela que pra mim é a melhor música já feita por eles: “Fate of Norns”. Que PORRA de refrão foda! Momento sublime da noite. A banda tocou sons de todos os álbuns, tocando “Masters of War”, segunda faixa do “The Crusher”, levando um som porrada logo após a atmosfera épica da faixa anterior.
Seguiram-se “Ride for Vengeance”, “Where Silent Gods Stand Guard” e “Runes To My Memory”. Quando eu pego meu terceiro copo (tem que beber devagar, senão fica pobre) do precioso hidromel Itaipavense, a moçada não nos deu trégua e o vocalista pede para que o público anuncie a próxima. “Death in.....” ouve-se então uma multidão ensandecida bradando FIREEEEEEEEEEEEEEEEEEE durante 3, 4 vezes seguidas... e vamos todos novamente para sessão de bateção de cabeça incessante. “Valhalla Awaits Me” e “Victorious March”, que fechou o show, com seu riff que lembra o In Flames da época inicial, ou seja, quando valia a pena ouvi-los. A banda continuava angariar fãs, tomando cerveja Skol e lançando aos presentes, enquanto não escondiam a satisfação com a resposta da platéia.
O bis foi a machadada de misericórdia. “Cry of the Black Birds”, foi emocionante. Até que veio o final, apoteótico. Tinha que ser com a música mais conhecida da banda, “Pursuit of Vikings”, com o famoso Pá Pará PáPá sendo iniciado e interrompido pelo guitarrista Olavi Mikkonen, com o local entoando o riff, como se por um momento fossemos todos transportados às embarcações vikings e estivéssemos em batalha. O vocalista se embrulha num pano com várias mini-bandeiras do Brasil e, junto com os outros músicos, saúda aos brasileiros que vieram do país todo para vê-los.
Show nota 10. Um dos mais profissionais que já vi em anos viajando pelo mundo para ver centenas de shows. Som, luz e presença de palco que justificam o porquê da banda estar enorme. Na outra semana vi os criadores do metal, Black Sabbath/Heaven and Hell, num show bem mais caro, num local bem melhor e com o som bosta. Sinal que o Amon Amarth merece ainda mais o meu respeito, com a ressalva do horário, mas seguido de 2 horas de apresentação matadora e que com certeza ficará lembrada como uma das noites mais memoráveis nos palcos do país. Obrigado a meus grandes amigos presentes, à Rock Freeday pelo apoio, ao Duda (MS Metal Press), ao Gerard e todos da produção por terem me propiciado uma noite mágica e metalizada.
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